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Campo Grande,29/05/2026

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Chefão do PCC nega sequestro da própria filha e alega farsa para recuperar US$ 100 mil

Em audiência na 3ª Vara Criminal de Campo Grande, Gerson Palermo e comparsa rejeitam acusações de extorsão mediante sequestro e afirmam que vítima colaborou com simulação


Chefão do PCC nega sequestro da própria filha e alega farsa para recuperar US$ 100 mil Gerson Palermo foi preso no dia 26 de maio, na Bolívia.

Durante audiência realizada na tarde desta quinta-feira (28) pela 3ª Vara Criminal de Campo Grande, o narcotraficante Gerson Palermo — atualmente detido no Presídio Federal da Capital — negou as acusações de extorsão mediante sequestro contra a própria filha, ocorrido em outubro de 2025.

Além de Palermo, Reinaldo Silva de Farias também foi denunciado pelo Ministério Público por supostamente ter executado o crime a mando do líder do PCC (Primeiro Comando da Capital). Reinaldo está preso, mas cumpre prisão domiciliar. Nesta tarde, ele prestou depoimento presencialmente.

De acordo com a advogada Hérika Ratto, que defende Reinaldo, tanto ele quanto Palermo negaram as acusações durante o interrogatório. Eles alegaram que se tratou de um falso sequestro, previamente combinado entre o traficante e sua filha, com o objetivo de recuperar US$ 100 mil que teriam desaparecido de um esconderijo na casa da família.

“Ambos os réus negaram as acusações de extorsão mediante sequestro. Afirmaram que tudo foi arquitetado entre o Palermo e a filha. Eles simularam o sequestro para reaver o dinheiro, que ele acredita estar com o avô da jovem”, relatou a defensora.

A audiência começou às 13h40 e terminou por volta das 16h30. Além dos acusados, duas testemunhas de acusação depuseram, incluindo a mãe da vítima. A defesa, que inverteu a ordem dos interrogatórios para ouvir primeiro os réus, também apresentou a esposa de Reinaldo como testemunha.

“Começamos hoje o interrogatório das testemunhas de defesa”, explicou a advogada. Sobre as testemunhas de acusação, ela informou que ainda deverá ser ouvido o sogro de Palermo, apontado pelo narcotraficante como responsável pelo furto dos dólares.

Este foi o segundo encontro de instrução e julgamento sobre o caso. O primeiro ocorreu em 17 de março, quando não foi possível ouvir todos os envolvidos, tornando necessária uma nova audiência. Como ainda falta a oitiva do sogro de Palermo, uma terceira sessão será marcada.

A reportagem procurou o advogado Rodney Nascimento, que defende Palermo, para comentar os depoimentos, mas não obteve retorno até o fechamento. O espaço segue aberto para manifestações.

Investigação do sequestro levou à captura de Palermo

As apurações sobre o sequestro teriam contribuído diretamente para a prisão de Palermo. Ele estava foragido desde 2020 e foi capturado na terça-feira (26), na Bolívia. O chefe do PCC vivia em uma propriedade próxima a Cotoca — cidade boliviana a cerca de 19 km de Santa Cruz de la Sierra —, onde se passava por um bem-sucedido empresário do agronegócio.

Palermo foi extraditado ao Brasil na quarta-feira (27) e chegou a Campo Grande no fim da tarde. Nesta quinta (28), passou por audiência de custódia e foi encaminhado ao Presídio Federal. Apontado como líder da facção criminosa, ele já acumula condenação de 126 anos de prisão. No caso do suposto sequestro da filha, também réu, voltou a negar as acusações em depoimento.

Relembre o caso

A jovem foi resgatada por policiais civis do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros) no dia 25 de outubro de 2025, após ser levada a um cativeiro no bairro Moreninhas, onde foi torturada. Reinaldo foi preso na época, mas obteve revogação da prisão e passou a usar tornozeleira eletrônica. Atualmente, permanece em prisão domiciliar.

As investigações apontaram que a motivação do crime teria sido uma entrega de US$ 100 mil feita por Palermo ao ex-sogro. O narcotraficante teria ordenado que o idoso escondesse o dinheiro dentro de um cano de PVC. O ex-sogro, então pedreiro, cavou o piso para enterrar o cano, e os dólares ficaram no local por aproximadamente dez anos.















O desaparecimento da quantia veio à tona em maio do ano passado, quando Gerson entrou em contato com o ex-sogro exigindo os dólares de volta. O idoso retornou ao imóvel, onde hoje mora a neta — filha de Palermo —, mas, ao retirar o cano, não encontrou o dinheiro. Ao ser informado do sumiço, Palermo teria planejado o sequestro da própria filha para extorquir o valor do ex-sogro, da jovem e do marido dela.




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