Combustível ultrapassa cocaína e se torna uma das principais fontes de lucro do crime organizado
Tráfico de combustível movimenta bilhões e supera narcotráfico em várias regiões; especialistas pedem tecnologia e leis mais duras
Crime organizado lucra mais com combustível e bebida do que com cocaína no Brasil, diz estudo. O tráfico de combustível tem se consolidado como um dos negócios mais lucrativos para facções criminosas no Brasil, superando, em algumas regiões, as receitas tradicionalmente associadas ao tráfico de cocaína. O desvio de gasolina, etanol e diesel — muitas vezes proveniente de dutos de empresas estatais ou de refinarias — abastece um mercado paralelo bilionário, com baixo risco de punição severa quando comparado ao narcotráfico.
De acordo com investigações recentes, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) ampliaram suas operações no setor de combustíveis, controlando desde o roubo em oleodutos até a distribuição irregular em postos de fachada. O chamado "golpe da boquinha" — em que o combustível adulterado é vendido como legítimo — tem gerado margens de lucro de até 300%, segundo especialistas.
O fenômeno não é exclusivamente brasileiro. Na Colômbia, México e países da África, organizações criminosas já migraram parcialmente do tráfico de drogas para o desvio de combustíveis, atraídas pelo menor apelo midiático e por penas mais brandas. No Brasil, a infiltração do crime organizado no setor de logística de combustíveis acendeu alerta das autoridades, que agora articulam forças-tarefas para rastrear o destino de cada litro desviado.
Além do prejuízo bilionário aos cofres públicos — estimado em mais de R$ 5 bilhões por ano —, a prática alimenta a corrupção de agentes públicos, violenta comunidades vizinhas a dutos e financia outras atividades ilegais, como tráfico de armas e lavagem de dinheiro.
Especialistas apontam que, para combater essa nova frente criminosa, é necessário investir em tecnologia de monitoramento de dutos, endurecer penas para desvio de combustível e ampliar a cooperação entre governos estaduais, federal e empresas do setor. Enquanto isso não ocorre, o combustível irregular seguirá abastecendo os caixas do crime organizado — muitas vezes, literalmente, nos tanques de veículos de todo o país.



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