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Campo Grande,29/05/2026

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Sem Brasil, nações sul-americanas lançam o Compromisso de Santiago para enfrentar o crime organizado

Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela assinam acordo de cooperação regional; ausência brasileira gera preocupação entre especialistas


Sem Brasil, nações sul-americanas lançam o Compromisso de Santiago para enfrentar o crime organizado Acordo prevê compartilhamento de inteligência, operações conjuntas e congelamento de ativos de facções como PCC, CV e Tren de Aragua; governo brasileiro ainda não se manifestou

Em um movimento histórico, nove países sul-americanos anunciaram nesta semana o "Compromisso de Santiago", um pacto de cooperação regional para frear o avanço do crime organizado. A iniciativa, liderada pelo Chile e pela Argentina, conta com a adesão de Uruguai, Paraguai, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. O Brasil, maior economia e território da região, ficou de fora do acordo — uma ausência que já acendeu alertas entre analistas de segurança pública.

O documento, assinado durante cúpula realizada em Santiago, prevê o compartilhamento de inteligência, operações conjuntas em fronteiras, padronização de leis contra lavagem de dinheiro e ações integradas para desarticular facções como o Comando Vermelho (CV), o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Tren de Aragua, que atuam de forma transnacional.

"O crime organizado não respeita fronteiras. Por isso, precisamos de uma resposta regional articulada", declarou o ministro do Interior chileno durante a cerimônia de assinatura. O pacto também estabelece a criação de um centro de inteligência sediado em Buenos Aires, com representantes de todos os países signatários.

A ausência do Brasil foi justificada pelos organizadores como um "problema logístico", mas fontes diplomáticas indicam que o governo brasileiro teria demonstrado resistência em aderir a mecanismos que pudessem limitar sua soberania sobre as fronteiras amazônicas e do Cone Sul. Especialistas, no entanto, veem a decisão como um erro estratégico.

"A exclusão do Brasil enfraquece qualquer iniciativa regional de combate ao crime. O PCC e o CV têm raízes profundas no território brasileiro e atuam em praticamente todos os países vizinhos. Sem o Brasil, o acordo fica incompleto", avalia Renato Sérgio de Lima, vice-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O Compromisso de Santiago prevê ainda a realização de exercícios militares conjuntos em regiões de fronteira, a troca de informações sobre rotas de tráfico de drogas, armas e pessoas, e o congelamento de ativos de organizações criminosas. Os países signatários se comprometeram a destinar, cada um, ao menos 0,5% de seus orçamentos de defesa para ações previstas no pacto.

A iniciativa ocorre em um momento de escalada da violência em diversos países da região. Em 2025, o Equador registrou sua maior taxa de homicídios da história, enquanto o Chile enfrenta uma crise de segurança no norte, dominado por facções estrangeiras. Paraguai e Argentina, por sua vez, convivem com a expansão do PCC em seus territórios.








O governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre o pacto. Nos bastidores, diplomatas avaliam a possibilidade de solicitar ingresso no mecanismo em uma segunda fase, prevista para julho deste ano. Até lá, o Compromisso de Santiago seguirá como a mais ambiciosa tentativa de integração sul-americana em segurança pública — ainda que com uma ausência de peso.




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