Justiça convoca deputado federal para depor em ação contra o jogo do bicho
Parlamentar é uma das testemunhas ouvidas na próxima segunda-feira; operação do Gaeco já cumpriu quatro fases e aponta esquema violento em Campo Grande
Deputado Federal Dagoberto Nogueira (PP). A Justiça marcou para a próxima segunda-feira (8) uma audiência de instrução e julgamento destinada a ouvir testemunhas em uma ação contra o jogo do bicho. Entre os convocados para depor está o deputado federal Dagoberto Nogueira (PP).
No despacho, o juiz José Henrique Kaster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, determinou que o parlamentar seja intimado no gabinete da Câmara dos Deputados. Caso não possa comparecer na data marcada, deverá informar outra data para o depoimento.
As defesas precisam comunicar se as testemunhas estarão presentes no plenário menor do Tribunal do Júri, no Fórum Heitor Medeiros. As que residem fora da Capital poderão participar por videoconferência.
Os réus Rhiad Abdulahad e Jonathan Gimenez Grance estarão presentes na audiência, conforme pedido da defesa. Outros quatro participarão por videoconferência, enquanto Flávio Henrique Espíndola Figueiredo será intimado por edital, por não ter advogado e estar com paradeiro desconhecido.
Operação desmontou organização criminosa que operava o jogo do bicho na capital sul-mato-grossense
Em dezembro de 2023, o Gaeco/MPMS (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público de Mato Grosso do Sul) deflagrou a Operação Successione contra uma organização criminosa que explorava o jogo do bicho em Campo Grande. Dez pessoas foram alvos da ação, entre elas o então deputado estadual Neno Razuk (PL).
A investigação teve início após registros de roubos de malotes de grupos rivais. Três boletins de ocorrência foram lavrados, e duas das três vítimas teriam reconhecido um sargento da PMMS como autor dos assaltos. Na época, Neno Razuk negou envolvimento: “Tenho certeza de que não tenho nenhum envolvimento com essa atividade. Acordei com essa surpresa. Tenho certeza de que, quando essa investigação acabar, será mostrado que não tenho nenhum envolvimento.”
Segundo o Gaeco, a organização agia de forma violenta para estabelecer seu domínio, mesmo após a apreensão de 700 máquinas de jogo do bicho em um QG no bairro Monte Castelo, em outubro de 2023. As investigações apontam que o grupo é integrado por policiais militares da reserva e um ex-PM, que usavam suas condições — especialmente o porte de arma — para submeter a exploração do jogo ilegal aos seus mandos, com o objetivo de transformar Campo Grande em novo território sob seu comando.
Ainda em dezembro de 2023, foi deflagrada a segunda fase da Successione, com 12 mandados de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão. Em janeiro de 2024, a terceira fase cumpriu dois mandados de prisão preventiva e um de busca e apreensão; um dos presos usava os nomes do então governador e do secretário de Justiça e Segurança Pública para aplicar golpes. Em novembro de 2025, a quarta etapa da operação resultou em 20 mandados de prisão preventiva e 27 de busca e apreensão em Campo Grande, Corumbá, Dourados, Maracaju, Ponta Porã, além de alvos no Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul.
Além de Neno, seu pai Roberto Razuk e os irmãos Rafael Godoy Razuk e Jorge Razuk Neto foram alvos. Neno é apontado pelos promotores como líder da organização criminosa. Roberto Razuk foi descrito pelo Gaeco como antigo chefe da operação do jogo do bicho na região sul do Estado. Até os anos 1990, o esquema em todo Mato Grosso do Sul era liderado por Fahd Jamil, também alvo da Successione em fases anteriores. Fahd deixou o comando e dividiu a operação em duas frentes: Campo Grande ficou com Jamil Name, e a região de Dourados e Ponta Porã passou a Roberto Razuk. O antigo líder manteve influência, conforme revelou reportagem da revista Piauí em dezembro de 2024.



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