Governo Lula cria uma medida para ampliar a carga tributária a cada 27 dias
Levantamento revela que governo federal tem criado ou ampliado tributos em intervalos cada vez mais curtos desde o início do mandato. Um levantamento realizado com base em atos normativos publicados desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva revela um dado que tem chamado a atenção de economistas e setores produtivos: o governo federal tem criado ou ampliado tributos a cada 27 dias, em média. A medida inclui desde a reedição de impostos extintos no passado até o aumento de alíquotas e a ampliação da base de cálculo de contribuições já existentes.
O ritmo acelerado de medidas de aumento da carga tributária contrasta com as promessas de campanha que sinalizavam uma reforma tributária centrada na simplificação e na justiça fiscal. Para críticos, a administração petista tem recorrido à via tributária como principal ferramenta para ampliar a arrecadação e sustentar o crescimento dos gastos públicos, sem o correspondente avanço em reformas estruturais que estimulem a produtividade e os investimentos privados.
Entre os principais incrementos tributários implementados ou em fase de implementação estão a volta gradual da tributação sobre combustíveis, o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para determinadas operações, a ampliação da base de contribuição do PIS/Cofins e a criação de novas fontes de arrecadação vinculadas ao chamado “orçamento secreto” turbinado, agora sob novas roupagens.
Especialistas apontam que a alta carga tributária impacta diretamente o bolso do consumidor e a competitividade das empresas brasileiras. Em um cenário de juros elevados e baixo crescimento econômico, o aumento contínuo de impostos tende a desestimular investimentos, frear a geração de empregos e reduzir o poder de compra da população, especialmente das camadas mais pobres, que destinam maior parcela da renda ao consumo.
O governo, por sua vez, defende as medidas como necessárias para garantir o equilíbrio fiscal e viabilizar programas sociais. Argumenta que parte da elevação da arrecadação é revertida em políticas de transferência de renda e investimentos em infraestrutura. No entanto, a frequência com que novos tributos ou aumentos têm sido anunciados alimenta a percepção de que a estratégia econômica do governo Lula tem um viés claramente arrecadatório.
Para o setor produtivo, o alerta é constante. Entidades empresariais têm reiterado que a carga tributária brasileira já está entre as mais altas do mundo e que a solução para o desenvolvimento sustentável passa pela eficiência do gasto público, não apenas pelo aumento da arrecadação. A cada nova medida tributária, cresce a preocupação de que o país perca espaço no ambiente de negócios e afugente investidores em um momento crucial para a retomada econômica.
Com o calendário eleitoral de 2026 se aproximando, o tema dos impostos promete se tornar um dos mais sensíveis no debate político. O governo Lula terá que lidar com a insatisfação crescente de setores produtivos e da população diante da percepção de que o contribuinte tem sido acionado com uma frequência cada vez maior para bancar os cofres públicos.



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