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Campo Grande,31/03/2026

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Escândalo do Banco Master atinge investidores de MS e vereadores de Campo Grande cobram investigação rigorosa


Escândalo do Banco Master atinge investidores de MS e vereadores de Campo Grande cobram investigação rigorosa Vereadores da Câmara de Campo Grande. (Foto: Divulgação)

O colapso do Banco Master e a consequente recuperação judicial do Grupo Fictor atingiram investidores em Mato Grosso do Sul, mobilizando vereadores de Campo Grande a cobrar apuração rigorosa sobre o rombo financeiro que afetou desde pequenos poupadores até grandes grupos econômicos.

No estado, 32 pessoas físicas integram a lista de credores do Grupo Fictor, cuja dívida total declarada à Justiça é de R$ 4,2 bilhões. Somente aos investidores sul-mato-grossenses, o grupo deve R$ 8.427.000,00. Três deles aplicaram mais de R$ 1 milhão cada. A maioria dos aportes foi feita por indicação de consultores vinculados a grandes corretoras.

O escândalo ganhou repercussão na Câmara Municipal. O vereador Carlão (PSB) afirmou que o caso prejudicou severamente empresas e investidores. “Muita gente foi beneficiada com isso e tem que pagar”, disse. Flávio Cabo Almi (PSDB) defendeu que o tema seja levado ao plenário para ampliar o debate e cobrar celeridade na responsabilização. “A Justiça precisa bloquear todos esses bens. Nós, como vereadores, precisamos polarizar essa conversa para não deixar cair no esquecimento”, ressaltou.

André Salineiro (PL) classificou como positiva a investigação em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu um rigor maior na apuração. Já o professor Juari (PSDB) ponderou que é necessário aguardar as decisões judiciais, mas destacou a preocupação com os reflexos econômicos para a Capital.

O presidente da Câmara, Epaminondas Neto, o Papy, informou que uma comissão da Casa já atua na análise dos investimentos públicos e dos contratos de empréstimos consignados firmados com o Banco Master. “Isso mostra a fragilidade do sistema financeiro brasileiro. Ainda estamos no começo da investigação porque temos envolvimento claro do crime organizado. Acho que ainda teremos muitas descobertas”, afirmou.

Investidor relata aplicação de alto risco

Um dos 32 credores ouvido pelo Jornal Midiamax, sob condição de anonimato, contou que o investimento foi sugerido por um analista de sua corretora, com base na reputação da Fictor no agronegócio. Ele afirmou estar ciente do alto risco e que destinou apenas uma parte de sua carteira à operação, obtendo bons rendimentos por um período, o que amenizou as perdas após a recuperação judicial.

Dentre os sul-mato-grossenses afetados, sete possuem créditos inferiores a R$ 50 mil, e alguns são corretores com comissões pendentes.

Megaprojeto imobiliário em Campo Grande foi afetado

Antes do escândalo, em 2025, a Hub Incorporações anunciou um megaprojeto de R$ 420 milhões em Campo Grande, com a construção de 12 condomínios viabilizados por aportes da Fictor Real Estate, braço do grupo. A parceria foi amplamente divulgada na mídia local.

Com a crise, a Hub informou, por meio de nota, que “descontinuou” os projetos, afirmando que o investimento da Fictor era destinado a empreendimentos pontuais que “sequer foram adiante”. Até o momento, apenas o Bueno Parque dos Poderes foi lançado, e a incorporadora nega participação da Fictor nesse caso. Sobre possíveis prejuízos a investidores, a empresa disse que os projetos descontinuados não chegaram a ser comercializados.

Crise de imagem e recuperação judicial

A queda do Grupo Fictor foi acelerada por uma crise de confiança após a tentativa de compra do Banco Master, um dia antes de o Banco Central decretar a liquidação da instituição comandada por Daniel Vorcaro. A movimentação provocou uma corrida de investidores por resgates, deixando o grupo descapitalizado.

O Fictor atuava por meio de Sociedades de Propósito Específico (SPEs) para captar recursos e possuía braços nos setores imobiliário, de alimentos, energia e de investimentos. Sem condições de honrar os compromissos, ingressou com pedido de recuperação judicial.




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