PF entrega novo relatório e, pela segunda vez, conclui não haver interferência de Bolsonaro
Delegado afirma que STF não forneceu provas complementares; Gonet agora decidirá entre arquivamento ou novas diligências A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um novo relatório no qual conclui, pela segunda vez, que não há provas de que o ex-presidente Jair Bolsonaro tenha interferido indevidamente na corporação durante seu mandato. A conclusão contraria as expectativas do ministro Alexandre de Moraes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que haviam determinado a reabertura do caso em outubro de 2025.
O delegado Carlos Henrique Pinheiro de Melo, vinculado à Diretoria de Inteligência Policial (DIP), assinou o parecer que reitera o entendimento já firmado anteriormente pela gestão anterior da PF. No documento, o delegado afirma que a investigação, que apurou um "lapso temporal restrito" e um "período ainda incipiente de diversos fatos", não revelou informações capazes de justificar imputações penais.
"Merece ser mencionado que o IPL 2021.0031208 -CCINT/CGCINT/DIP/PF apurou objeto específico, que, sob a ótica das diligências tomadas em contemporaneidade com os fatos, não revelou informações capazes de justificar imputações penais", escreveu o delegado.
Em seu parecer, Pinheiro de Melo também mencionou que a PF solicitou ao ministro Alexandre de Moraes o compartilhamento de provas do chamado "inquérito das fake news" que pudessem indicar interferência indevida. O ministro, no entanto, respondeu que não havia elementos nesse sentido naquele procedimento.
O caso teve origem em 2020, quando o então ministro da Justiça, Sergio Moro, pediu demissão e acusou Bolsonaro de tentar interferir na PF para blindar aliados e familiares investigados. Na ocasião, a investigação foi aberta a pedido da própria Procuradoria-Geral da República (PGR), então comandada por Augusto Aras. Em 2022, a PF concluiu pela inexistência de crimes, e Aras pediu o arquivamento do caso.
A reabertura da investigação em outubro de 2025 atendeu a um pedido do atual procurador-geral, Paulo Gonet, que argumentou ser necessário verificar "com maior amplitude se efetivamente houve interferências ou tentativas de interferências" diante de novos elementos surgidos em outras apurações, como o caso da "Abin paralela".
O novo relatório da PF foi encaminhado ao STF no início de abril, sob sigilo, e agora está nas mãos do procurador-geral Paulo Gonet. A PGR poderá indicar novas diligências, requisitar o arquivamento definitivo do caso ou adotar outras medidas cabíveis.



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