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Campo Grande,27/05/2026

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Após derrota de Messias, Lula faz concessões ao Congresso para tentar conter crise com Alcolumbre

Liberação de R$ 8 bilhões em emendas e sinalização de cargos em estatais são tentativas de evitar desgaste antes das eleições de 2026.


Após derrota de Messias, Lula faz concessões ao Congresso para tentar conter crise com Alcolumbre Governo acelera repasses e cede pautas ao Centrão para conter desgaste após derrota no STF.

A derrota do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, indicado por Lula, na disputa pela presidência da Corte para o ministro Roberto Barroso — amplamente apoiado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) — acirrou os ânimos entre o Palácio do Planalto e o Congresso. Internamente, o episódio ficou conhecido como a "derrota de Messias" (em referência ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macêdo, apelidado de "Messias" por Lula e tido como o principal articulador da indicação fracassada).

Nos dias seguintes ao revés, Lula passou a adotar uma estratégia de concessões ao Legislativo na tentativa de conter o avanço da crise com Alcolumbre e recompor a base aliada. A primeira medida foi acelerar a liberação de emendas parlamentares impositivas — com repasses que ultrapassam R$ 8 bilhões até junho —, incluindo várias direcionadas a senadores aliados do presidente da Casa.

Além disso, o governo concordou em pautar projetos de interesse do Centrão que estavam travados, como o PL das Saidinhas (que restringe saídas temporárias de presos) e o Marco Legal das Garantias. Em outra frente, Lula recebeu Alcolumbre no Planalto e sinalizou apoio a indicados do senador para cargos estratégicos em estatais e agências reguladoras.

Nos bastidores, a avaliação é que Lula tenta evitar um desgaste maior antes das eleições de 2026, quando precisará do apoio do Congresso para aprovar pautas econômicas e manter a governabilidade. Apesar das concessões, Alcolumbre ainda cobra um espaço maior na Esplanada dos Ministérios, incluindo a pasta da Justiça, atualmente comandada por Ricardo Lewandowski.

A crise, embora contornada no curto prazo, expôs a vulnerabilidade do Planalto diante de um Congresso cada vez mais autônomo e organizado em torno de suas próprias lideranças. Resta saber se os acenos de Lula serão suficientes para conter novos atritos ou se a "derrota de Messias" representará um ponto de inflexão na relação entre os Poderes.




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