Após derrota de Messias, Lula faz concessões ao Congresso para tentar conter crise com Alcolumbre
Liberação de R$ 8 bilhões em emendas e sinalização de cargos em estatais são tentativas de evitar desgaste antes das eleições de 2026.
Governo acelera repasses e cede pautas ao Centrão para conter desgaste após derrota no STF. A derrota do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, indicado por Lula, na disputa pela presidência da Corte para o ministro Roberto Barroso — amplamente apoiado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) — acirrou os ânimos entre o Palácio do Planalto e o Congresso. Internamente, o episódio ficou conhecido como a "derrota de Messias" (em referência ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macêdo, apelidado de "Messias" por Lula e tido como o principal articulador da indicação fracassada).
Nos dias seguintes ao revés, Lula passou a adotar uma estratégia de concessões ao Legislativo na tentativa de conter o avanço da crise com Alcolumbre e recompor a base aliada. A primeira medida foi acelerar a liberação de emendas parlamentares impositivas — com repasses que ultrapassam R$ 8 bilhões até junho —, incluindo várias direcionadas a senadores aliados do presidente da Casa.
Além disso, o governo concordou em pautar projetos de interesse do Centrão que estavam travados, como o PL das Saidinhas (que restringe saídas temporárias de presos) e o Marco Legal das Garantias. Em outra frente, Lula recebeu Alcolumbre no Planalto e sinalizou apoio a indicados do senador para cargos estratégicos em estatais e agências reguladoras.
Nos bastidores, a avaliação é que Lula tenta evitar um desgaste maior antes das eleições de 2026, quando precisará do apoio do Congresso para aprovar pautas econômicas e manter a governabilidade. Apesar das concessões, Alcolumbre ainda cobra um espaço maior na Esplanada dos Ministérios, incluindo a pasta da Justiça, atualmente comandada por Ricardo Lewandowski.
A crise, embora contornada no curto prazo, expôs a vulnerabilidade do Planalto diante de um Congresso cada vez mais autônomo e organizado em torno de suas próprias lideranças. Resta saber se os acenos de Lula serão suficientes para conter novos atritos ou se a "derrota de Messias" representará um ponto de inflexão na relação entre os Poderes.



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