Ex-noiva de Vorcaro soma-se à lista de ausentes e CPI considera acionar a polícia
Daniel Vorcaro e sua ex-noiva. A Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga os atos golpistas e as milícias digitais enfrenta um novo obstáculo em seus trabalhos: o desaparecimento de Martha Graeff, ex-noiva do empresário e investigado Daniel Vorcaro. Convidada a prestar esclarecimentos fundamentais sobre a relação do ex-companheiro com figuras-chave do entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro, Graeff não tem sido localizada, o que levou os membros da CPI a cogitarem o acionamento da polícia para conduzi-la coercitivamente à comissão.
Martha Graeff é considerada uma testemunha estratégica para a elucidação de pontos ainda obscuros na trama investigada. Seu relacionamento com Vorcaro, que figura entre os acusados de financiar e organizar acampamentos golpistas e atos antidemocráticos, coloca-a em uma posição privilegiada para relatar eventuais articulações, repasses financeiros e ligações entre o empresário e aliados do ex-presidente. A expectativa era de que seu depoimento pudesse conectar pontos que até agora permanecem soltos no quebra-cabeça das investigações.
Diante da ausência e da impossibilidade de contato, os parlamentares avaliam medidas mais enérgicas. A principal delas é o requerimento de condução coercitiva, que autoriza a polícia a localizar a testemunha e trazê-la à força para depor, sob pena de desobediência e até mesmo de prisão por obstrução da justiça. A decisão, no entanto, depende de votação no colegiado e, posteriormente, de autorização judicial, uma vez que a medida envolve restrição à liberdade de locomoção.
O sumiço de Martha Graeff insere-se em um contexto mais amplo de dificuldades enfrentadas pela CPI, que já acumula uma série de convocados que se valeram do direito ao silêncio, apresentaram atestados médicos contestáveis ou simplesmente não foram localizados. Para os defensores da continuidade das investigações, o episódio reforça a necessidade de instrumentos mais robustos para garantir a efetividade do trabalho parlamentar.
A defesa de Vorcaro ainda não se manifestou oficialmente sobre o paradeiro da ex-noiva, e aliados do empresário nos bastidores políticos tentam minimizar a relevância de seu possível testemunho. Enquanto isso, a CPI corre contra o tempo para concluir seus trabalhos e apresentar um relatório final, e a localização de Martha Graeff tornou-se uma das últimas esperanças para desatar nós que, até agora, resistem ao escrutínio da comissão.



COMENTÁRIOS