Transparência Internacional cobra investigação da PGR sobre relação de Moraes com Banco Master
Entidade pede apuração de possíveis vínculos entre ministro do STF e banqueiro Daniel Vorcaro; PGR já havia arquivado pedido semelhante em dezembro. A organização Transparência Internacional cobrou publicamente, nesta quarta-feira (1º), que a Procuradoria-Geral da República (PGR) instaure uma investigação sobre a relação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com o Banco Master e seu ex-controlador, o banqueiro Daniel Vorcaro.
Em publicação nas redes sociais, a entidade pediu providências diante das informações divulgadas pela imprensa, que apontam possíveis ligações entre o magistrado e o empresário. A ONG defende que os fatos precisam ser apurados para garantir transparência e preservar a credibilidade das instituições públicas.
Pontos questionados pela ONG
De acordo com a Transparência Internacional, reportagens recentes levantaram questões que merecem ser investigadas, entre elas:
Contrato milionário: o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, firmou um contrato com o Banco Master no valor estimado de R$ 129 milhões, com pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões até 2027;
Contatos com o Banco Central: reportagens indicaram que Moraes teria mantido ao menos quatro contatos — por telefone e reuniões presenciais — com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, enquanto a instituição analisava a situação do Master;
Suposta defesa do banco: segundo apurações, o ministro teria dito a Galípolo que gostava de Vorcaro e que o banco estaria sofrendo ataques por ganhar mercado dos grandes concorrentes;
Aumento patrimonial: questionamentos sobre possível crescimento expressivo do patrimônio do casal no período.
A organização argumentou ainda que a PGR deveria atuar de forma independente para apurar se houve tráfico de influência ou violação aos princípios da administração pública.
Moraes nega irregularidades
Alexandre de Moraes já se manifestou em ocasiões anteriores negando as acusações. O gabinete do ministro afirmou que ele jamais viajou em aeronaves de Daniel Vorcaro e que as informações divulgadas seriam falsas.
Em nota, Moraes reconheceu que houve encontros com Galípolo, mas afirmou que os encontros trataram exclusivamente dos impactos da Lei Magnitsky — legislação dos Estados Unidos que impôs sanções ao ministro e sua esposa — e que em nenhum momento houve menção ao Banco Master ou à tentativa de aquisição pelo Banco de Brasília (BRB).
O ministro também destacou que o escritório de sua esposa não atuou nas negociações envolvendo a venda do Master ao BRB.
Antecedentes: PGR já arquivou pedido semelhante
A nova cobrança da Transparência Internacional ocorre após a PGR, ainda em dezembro de 2025, ter arquivado um pedido de investigação contra Moraes e sua esposa apresentado pelo advogado Enio Murad.
Na ocasião, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidiu que não havia elementos que justificassem a abertura de investigação criminal. Em seu despacho, Gonet afirmou ser “imperativo sublinhar a absoluta ausência de lastro probatório mínimo que sustente a acusação formulada”.
Sobre o contrato do escritório da advogada Viviane Barci, o procurador-geral entendeu que “refoge ao escopo de atuação e à competência da Suprema Corte a ingerência em negócios jurídicos firmados entre particulares, especialmente quando resguardados pela autonomia intrínseca à atividade liberal da advocacia”.
Gonet também destacou que tanto Moraes quanto Galípolo negaram categoricamente qualquer tipo de interferência do ministro junto ao Banco Central.
Pressão política e desdobramentos
O caso do Banco Master — liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025 com prejuízo estimado de R$ 52 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) — tornou-se um dos maiores escândalos financeiros recentes e passou a ter desdobramentos no STF.
A oposição no Congresso pressiona pela instalação de uma CPI específica para investigar as conexões envolvendo a instituição financeira e autoridades dos Três Poderes. Paralelamente, a CPI do Crime Organizado já avança com convocações e pedidos de quebra de sigilo relacionados ao caso.
A cobrança da Transparência Internacional reforça a pressão para que a PGR reavalie se há elementos suficientes para abrir uma investigação formal sobre o assunto, mesmo diante do arquivamento anterior da representação.



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