Chefão do PCC é preso na Bolívia após mais de cinco anos foragido
Gerson Palermo, condenado a mais de 100 anos de prisão, arrancou tornozeleira eletrônica em 2020 e foi capturado em operação conjunta da PF com a polícia boliviana
Gerson Palermo, apontad como um dos líderes do PCC, foi preso na Bolívia Gerson Palermo, apontado como um dos líderes do PCC (Primeiro Comando da Capital), foi preso na terça-feira (26) na Bolívia, próximo à fronteira com Mato Grosso do Sul. Condenado a mais de 100 anos de prisão, ele estava foragido desde 2020.
Palermo obteve prisão domiciliar naquele ano, durante a pandemia de covid-19, sob a justificativa de pertencer ao grupo de risco. Passou então a usar tornozeleira eletrônica. No dia 22 de abril de 2020, na casa da esposa, arrancou o equipamento por volta das 20h40 e fugiu. À época, já se suspeitava que ele teria se escondido na Bolívia, onde mantinha uma residência em Corumbá.
Procurada pela equipe, a defesa de Palermo, representada pelos advogados Amilton Ferreira e Rodney do Nascimento, afirmou que se reunirá na quarta-feira (27) para definir a estratégia defensiva. "Certamente, ele será extraditado e nós vamos esperar ele chegar até para conversar com ele pessoalmente", disse Amilton.
Quem era Gerson Palermo?
Em junho de 2016, a execução do traficante Jorge Rafaat, conhecido como "Rei da Fronteira", marcou a disputa pelo tráfico na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, em Pedro Juan Caballero. Rafaat estava em um Hummer blindado quando ele e seus seguranças foram alvejados por tiros de fuzis AK-47, metralhadoras e munição antiaérea.
Palermo era então considerado aliado de Rafaat. No entanto, um mês após o crime, uma interceptação de áudio gravada no presídio federal de Porto Velho entre os líderes do Comando Vermelho, Fernandinho Beira-Mar e Marcinho VP, revelou que a execução teria sido ordenada por Palermo. Apesar disso, Sérgio Lima dos Santos foi o único condenado pela execução, por operar uma metralhadora .50 no crime.
Na conversa, Beira-Mar afirma: "Tomaram essa atitude [Palermo e comparsas], mas quem levou a fama foi o pessoal do 15 [PCC]. O Rafaat sempre teve sede de poder. O Siciliano [Palermo] estava junto na caminhada e se uniram lá."
Além disso, Palermo foi denunciado pelo sequestro da própria filha, ocorrido em outubro do ano passado, em Campo Grande. O crime teria sido motivado pelo sumiço de 100 mil dólares. Recentemente, ocorreu a primeira audiência de instrução e julgamento do caso na capital sul-mato-grossense.
O desembargador de Mato Grosso do Sul, Divoncir Schreiner Maran, foi investigado por ter concedido o habeas corpus que permitiu a prisão domiciliar de Palermo. Em fevereiro deste ano, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) decidiu, por unanimidade, aposentá-lo. Divoncir já havia sido afastado das funções em fevereiro de 2024, alvo da Operação Tiradentes, da PF em parceria com a Receita Federal.
Alvo da PF e nova prisão
Após progredir na pena e voltar às ruas, Palermo tornou-se alvo da Operação "All In", da Polícia Federal, sendo apontado como piloto e principal operador logístico de uma organização criminosa que transportava grandes volumes de cocaína da Bolívia para o Brasil. A droga seguia para Corumbá e, de lá, era distribuída pelo país em caminhões. Na operação, foram apreendidos mais de 810 quilos de cocaína. Por tráfico internacional de drogas, Palermo foi condenado a mais de 59 anos e 9 meses de prisão.
Ele foi preso em abril de 2017 e cumpria pena na Penitenciária Máxima de Campo Grande até obter a prisão domiciliar na pandemia. Após arrancar a tornozeleira, permaneceu foragido até agora.
Captura na Bolívia
Palermo foi preso na região de Santa Cruz de La Sierra, a cerca de 650 km de Corumbá, em uma operação conjunta da Polícia Federal com forças de segurança bolivianas especializadas no combate ao narcotráfico. Ele constava na lista dos criminosos mais procurados do Brasil. As autoridades brasileiras aguardam agora sua extradição.



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