EUA preparam lista negra para PCC e Comando Vermelho
Classificação como organização terrorista pode redefinir a atuação internacional do crime organizado brasileiro. O governo dos Estados Unidos, sob o comando de Donald Trump, está nos preparativos finais para incluir o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). A informação, obtida pelo portal UOL, indica que a decisão pode ser oficializada nas próximas duas semanas, após a conclusão de trâmites burocráticos em Washington.
De acordo com a apuração, o Departamento de Estado já finalizou a documentação referente às duas organizações criminosas brasileiras. O material passou pela análise de outras agências do governo norte-americano, que deram sinal verde para o prosseguimento do processo. O rito segue o mesmo padrão adotado recentemente pela administração Trump para classificar outros grupos latino-americanos, como o Cartel de Jalisco (México) e o Tren de Aragua (Venezuela).
Antes da publicação oficial no Registro Federal — o diário oficial dos EUA —, o documento ainda precisa ser avaliado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e, em seguida, encaminhado ao Congresso norte-americano. O procedimento completo deve levar cerca de duas semanas.
Enquanto isso, nos bastidores da diplomacia, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, já foi informado sobre o avanço da pauta e tenta, desde a última segunda-feira, um contato telefônico com Marco Rubio. Até o momento, não há confirmação de que a conversa tenha acontecido.
A inclusão na lista negra do Departamento de Estado não é uma mera formalidade. Ela aciona um pacote de consequências severas: integrantes das facções podem ter bens congelados em solo americano, ficam impedidos de acessar o sistema financeiro dos EUA, e qualquer cidadão ou entidade norte-americana fica proibida de fornecer "apoio material" aos grupos — o que inclui desde doações até o fornecimento de armas e treinamento.
A movimentação em Washington para classificar o CV e o PCC como terroristas teria recebido um impulso nos bastidores. Ainda segundo o UOL, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) solicitou pessoalmente aos presidentes da Argentina, Javier Milei, e de El Salvador, Nayib Bukele, que ajudassem a pavimentar o caminho para a medida junto ao governo Trump.
A iniciativa, no entanto, encontra resistência por parte do governo brasileiro. Em diferentes ocasiões, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus representantes manifestaram formalmente a diplomatas norte-americanos a oposição do Brasil à medida, argumentando que a criminalidade no país deve ser tratada como questão de segurança pública, e não como terrorismo.



COMENTÁRIOS