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Campo Grande,30/03/2026

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Delação de dono do Banco Master pode revelar novos elos entre PCC e esquema milionário em postos de MS


Delação de dono do Banco Master pode revelar novos elos entre PCC e esquema milionário em postos de MS Banqueiro Daniel Vorcaro deixando a prisão com tornozeleira.

Oito meses depois da megaoperação da Polícia Federal que desarticulou um esquema do Primeiro Comando da Capital (PCC) em postos de combustíveis — com reflexos na pequena cidade de Iguatemi e um rombo milionário em Mato Grosso do Sul —, novos capítulos podem vir à tona com a possível delação de Daniel Bueno Vorcaro, dono do liquidado Banco Master.

Nos últimos dias, as negociações para um acordo de delação premiada com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) avançaram. As tratativas envolvem suspeitas de negociações entre a instituição financeira e atividades de lavagem de dinheiro, incluindo possíveis conexões com o crime organizado.

Em Mato Grosso do Sul, à época em que as articulações do grupo criminoso vieram à tona, apurações apontaram que distribuidoras de combustíveis — algumas com sede em Campo Grande — tiveram suas inscrições canceladas e foram multadas em valores milionários.

“Foram multadas em valores bem elevados, altíssimos mesmo, lembro disso. A ação [da PF] foi pontual na época, em Iguatemi. A ANP [Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis] foi comunicada, sabia que existia a situação em respectivos postos e que a distribuidora sempre estava fechada, nunca abria, mas tinha movimentação”, destacou Edson Lazarotto, presidente do Sinpetro (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de MS).

Adulteração e lavagem de dinheiro em MS

Durante as investigações, foi constatado que a organização criminosa emitia notas fiscais fora do estado, o que impedia o recolhimento de impostos em âmbito estadual. Além das irregularidades tributárias, também foi identificada a adulteração de combustíveis em postos supostamente controlados pelo PCC.

Na ocasião, o Procon-MS não foi acionado, mas a Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes contra as Relações de Consumo) realizava diversas fiscalizações em postos. O delegado Reginaldo Salomão coordenava as ações à época.

“Nosso foco era a questão do combustível adulterado. Tivemos um caso de fraude no tocante aos medidores, mas não entramos na alçada da lavagem de dinheiro. É necessário um equipamento específico para isso, além de pessoas com especialidade em extração; então, não entramos nesta alçada do ‘Carbono Oculto’. Quando houve a apuração que se relacionava ao crime organizado, foi enviado o despacho ao Dracco [Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado]”, explicou Salomão.

Operação Carbono Oculto cumpriu mandados em MS

Na época, a Polícia Federal cumpriu seis dos 14 mandados de prisão preventiva decretados. Além de Iguatemi, houve alvos em Dourados e na região sul do estado.

Ao todo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra cerca de 350 alvos distribuídos por São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Segundo a operação, aproximadamente mil postos de combustíveis vinculados ao PCC movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024.

A ANP ressaltou que a fiscalização do setor é permanente e que a agência mantém canais de denúncia permanentemente à disposição. Assim como na época da Operação Carbono Oculto, a autarquia afirmou que as ações seguem ocorrendo de forma planejada, a partir de diversos vetores de inteligência, além de denúncias de consumidores encaminhadas à ouvidoria.

Denúncias sobre irregularidades no setor de combustíveis podem ser feitas pelo telefone 0800 970 0267 (ligação gratuita) ou por meio do FalaBR, plataforma integrada de ouvidoria e acesso à informação da Controladoria-Geral da União (CGU).




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