Caso Master atinge novo patamar com prisão de ex-presidente de banco público
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. A Polícia Federal prendeu na quinta-feira (16 de abril de 2026) o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, em mais uma fase da Operação Compliance Zero. A prisão preventiva foi decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça e integra as investigações do Caso Master, apontado como um dos maiores escândalos financeiros da história recente do Brasil. Segundo a PF e a decisão judicial, Costa teria atuado como “mandatário” do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, facilitando operações irregulares entre o banco público do Distrito Federal e a instituição privada. Em troca, ele teria recebido propina no valor total de R$ 146,5 milhões, paga principalmente por meio da transferência de seis imóveis de luxo — quatro em São Paulo e dois em Brasília —, sendo que parte dos bens, avaliados em cerca de R$ 74,6 milhões, já teria sido efetivamente repassada.
A investigação aponta que Costa teria afrouxado regras de governança e compliance do BRB para viabilizar a compra de carteiras de crédito e ativos do Banco Master, muitos considerados “podres” ou sem lastro adequado. A PF identificou ainda o uso de fundos da gestora Reag para estruturar o pagamento da propina via imóveis. Além de Costa, foi preso o advogado Daniel Monteiro, apontado como homem de confiança de Vorcaro e articulador do esquema de lavagem. As irregularidades teriam ocorrido especialmente durante a tentativa de o BRB adquirir o Banco Master, operação que acabou frustrada após o avanço das investigações. Costa presidiu o BRB de janeiro de 2019 a novembro de 2025, quando foi afastado por determinação judicial na primeira fase da operação. Ele foi indicado ao cargo pelo governador Ibaneis Rocha (MDB). A defesa do ex-presidente classificou a prisão como “desnecessária” e “exagerada”, afirmando que não há elementos concretos para a medida.
O escândalo do Caso Master envolve supostas fraudes bilionárias, com indícios de venda de títulos sem lastro, lavagem de dinheiro, corrupção e até intimidação de adversários. O caso já resultou na liquidação do banco pelo Banco Central e em várias fases da Operação Compliance Zero, com prisões de Vorcaro e outros envolvidos. A prisão de Paulo Henrique Costa eleva o patamar do escândalo, pois atinge diretamente a cúpula de um banco público estatal, reforçando as suspeitas de que o Caso Master não se limitou a fraudes financeiras, mas envolveu articulações políticas e vantagens indevidas a agentes públicos para encobrir ou viabilizar o esquema. As investigações seguem em andamento com o objetivo de esclarecer todo o fluxo de recursos e possíveis outros envolvidos, e o desdobramento desta quinta-feira mostra que o Caso Master continua produzindo capítulos explosivos, mesmo após o fim do banco.



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