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Campo Grande,01/05/2026

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Saída de presidente do Consórcio Guaicurus escancara falta de gestão, diz relatora da CPI


Saída de presidente do Consórcio Guaicurus escancara falta de gestão, diz relatora da CPI Vereadora Ana Portela (PL).

A vereadora Ana Portela (PL), relatora da CPI que apurou irregularidades contratuais e a precariedade do transporte coletivo em Campo Grande, afirmou que a renúncia de Themis de Oliveira ao cargo de diretor-presidente do Consórcio Guaicurus, após apenas 16 meses, evidencia a gravidade da crise que afeta a empresa.

“O problema está escancarado. Isso ficou mais que evidenciido na falta de gestão das pessoas que estão à frente do Consórcio, e está comprovado no relatório final da CPI”, declarou a parlamentar.

O anúncio oficial da saída ocorreu nesta semana, sob a justificativa de que o executivo irá se dedicar a projetos pessoais. João Rezende, que já ocupava o cargo anteriormente, reassume a função de forma interina enquanto o grupo define os novos rumos da administração. Ambos foram figuras centrais nas oitivas que revelaram o quadro de calamidade da empresa, detentora da exclusividade na operação dos ônibus na Capital.

A saída de Themis acontece em um momento de forte desgaste para o Consórcio Guaicurus. O serviço acumula reclamações constantes dos usuários por atrasos, falhas mecânicas, mudanças bruscas nos itinerários e uma operação financeira bilionária que não se reflete em melhorias concretas para a população.

Após determinação judicial, a prefeitura instituiu, em março, um Grupo de Trabalho para avaliar a viabilidade de uma intervenção administrativa no contrato. A medida foi a principal recomendação do relatório final da CPI e poderia levar, inclusive, à rescisão do acordo, que tem vigência prevista até outubro de 2032.

Para a vereadora, a troca no comando da empresa reforça as falhas apontadas em seu relatório e a necessidade urgente de ações mais enérgicas por parte do Executivo municipal.

A relatora destacou que o posicionamento da Câmara encontra respaldo em outras instâncias institucionais. Ana lembrou que a própria Justiça já reconheceu indícios de má execução contratual e determinou a abertura de um processo de intervenção, decisão mantida por unanimidade pelo Tribunal de Justiça.

O Ministério Público também acompanha o caso e já se manifestou favoravelmente à medida, citando a precariedade do atendimento à população.

Na avaliação da parlamentar, a gestão do Consórcio demonstra estar “perdida”, e o prejuízo recai diretamente sobre o cidadão campo-grandense.

“O que não dá mais é para aceitar a inércia. A Prefeitura precisa sair do discurso e tomar uma atitude concreta. O relatório da CPI já foi entregue, a Justiça já se manifestou, o Ministério Público também. Até quando os órgãos competentes vão continuar assistindo isso sem agir?”, questionou Portela.

A prefeita Adriane Lopes já havia sinalizado anteriormente que o contrato caminha para uma possível intervenção. Atualmente, a comissão avaliadora aguarda a conclusão dos prazos para que o Consórcio Guaicurus apresente sua defesa técnica antes de uma decisão final.

Enquanto o processo tramita, a operação segue sob o comando interino de João Rezende. Ele presidiu o consórcio por mais de uma década e foi um personagem de destaque na CPI, tendo chorado enquanto era questionado pelos parlamentares da comissão investigadora.




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