Saída de presidente do Consórcio Guaicurus escancara falta de gestão, diz relatora da CPI
Vereadora Ana Portela (PL). A vereadora Ana Portela (PL), relatora da CPI que apurou irregularidades contratuais e a precariedade do transporte coletivo em Campo Grande, afirmou que a renúncia de Themis de Oliveira ao cargo de diretor-presidente do Consórcio Guaicurus, após apenas 16 meses, evidencia a gravidade da crise que afeta a empresa.
“O problema está escancarado. Isso ficou mais que evidenciido na falta de gestão das pessoas que estão à frente do Consórcio, e está comprovado no relatório final da CPI”, declarou a parlamentar.
O anúncio oficial da saída ocorreu nesta semana, sob a justificativa de que o executivo irá se dedicar a projetos pessoais. João Rezende, que já ocupava o cargo anteriormente, reassume a função de forma interina enquanto o grupo define os novos rumos da administração. Ambos foram figuras centrais nas oitivas que revelaram o quadro de calamidade da empresa, detentora da exclusividade na operação dos ônibus na Capital.
A saída de Themis acontece em um momento de forte desgaste para o Consórcio Guaicurus. O serviço acumula reclamações constantes dos usuários por atrasos, falhas mecânicas, mudanças bruscas nos itinerários e uma operação financeira bilionária que não se reflete em melhorias concretas para a população.
Após determinação judicial, a prefeitura instituiu, em março, um Grupo de Trabalho para avaliar a viabilidade de uma intervenção administrativa no contrato. A medida foi a principal recomendação do relatório final da CPI e poderia levar, inclusive, à rescisão do acordo, que tem vigência prevista até outubro de 2032.
Para a vereadora, a troca no comando da empresa reforça as falhas apontadas em seu relatório e a necessidade urgente de ações mais enérgicas por parte do Executivo municipal.
A relatora destacou que o posicionamento da Câmara encontra respaldo em outras instâncias institucionais. Ana lembrou que a própria Justiça já reconheceu indícios de má execução contratual e determinou a abertura de um processo de intervenção, decisão mantida por unanimidade pelo Tribunal de Justiça.
O Ministério Público também acompanha o caso e já se manifestou favoravelmente à medida, citando a precariedade do atendimento à população.
Na avaliação da parlamentar, a gestão do Consórcio demonstra estar “perdida”, e o prejuízo recai diretamente sobre o cidadão campo-grandense.
“O que não dá mais é para aceitar a inércia. A Prefeitura precisa sair do discurso e tomar uma atitude concreta. O relatório da CPI já foi entregue, a Justiça já se manifestou, o Ministério Público também. Até quando os órgãos competentes vão continuar assistindo isso sem agir?”, questionou Portela.
A prefeita Adriane Lopes já havia sinalizado anteriormente que o contrato caminha para uma possível intervenção. Atualmente, a comissão avaliadora aguarda a conclusão dos prazos para que o Consórcio Guaicurus apresente sua defesa técnica antes de uma decisão final.
Enquanto o processo tramita, a operação segue sob o comando interino de João Rezende. Ele presidiu o consórcio por mais de uma década e foi um personagem de destaque na CPI, tendo chorado enquanto era questionado pelos parlamentares da comissão investigadora.



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