Novo tarifaço dos EUA ameaça etanol de MS e pode frear recorde de produção
Estado é o 4º maior produtor nacional do biocombustível; setor gera mais de 34 mil empregos e teme taxa de 25% proposta pelo governo americano
Indústria de etanol em Mato Grosso do Sul. (Foto: Álvaro Rezende, Secom-MS) Mato Grosso do Sul pode voltar a sofrer os impactos de um novo "tarifaço" imposto pelos Estados Unidos. Na última segunda-feira (1º), o USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) anunciou uma proposta de taxa de 25% sobre importações brasileiras.
Entre os produtos afetados está o etanol. O Estado sul-mato-grossense conta atualmente com três indústrias ativas no setor, além de várias outras em fase de implantação. Isso significa que os reflexos da medida podem ser sentidos diretamente por aqui.
De acordo com o Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul), o estado ocupa a 4ª posição no ranking nacional de produção de etanol e é o 2º maior produtor de etanol de milho do país. O setor sucroenergético é responsável por gerar mais de 34 mil empregos diretos na região.
Com 52 milhões de toneladas de cana-de-açúcar moídas na safra 2025/2026, Mato Grosso do Sul deve alcançar uma produção recorde de 5 bilhões de litros de etanol. O estado já responde por 13,5% da produção nacional do biocombustível, com destaque para o etanol de milho, que representa 44% do total produzido.
Produção em expansão
Conforme dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), Mato Grosso do Sul produziu 4,8 milhões de metros cúbicos de etanol em 2025 — sendo 3,7 milhões de etanol hidratado e 1 milhão de etanol anidro. O estado conta com 22 instalações produtoras. Desse total, três usinas produzem etanol de milho, localizadas em Sidrolândia, Dourados e Maracaju.
A usina mais recente em operação é a Neomille, em Maracaju. Inaugurada em 2024, a unidade tem capacidade para processar 608 mil toneladas de milho, produzir 266 milhões de litros de etanol, 161 mil toneladas de DDGS (grãos secos de destilaria com solúveis) e 10 mil toneladas de óleo. Já a Inpasa controla as outras duas unidades, em Dourados e Sidrolândia. Para 2026, foram anunciados investimentos da Pioneiras em Jaraguari e da Atvos em Nova Alvorada do Sul.



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