Acordo Mercosul-UE deve impulsionar exportação em MS
(Foto: Reprodução) A implementação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) deve reconfigurar a balança comercial de Mato Grosso do Sul, baseando-se na redução de tarifas para produtos industriais e na criação de cotas estratégicas para o agronegócio.
Dados de 2025 mostram que o estado exportou US$ 1,65 bilhão para países europeus, com destaque para os Países Baixos e a Itália. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria, o novo marco prevê a eliminação imediata de impostos de importação da UE para mais de 2.700 produtos industriais, de um total de 5 mil beneficiados.
Impulso para a Indústria de Transformação – A indústria de transformação do estado, que teve alta de 12,17% nos preços de exportação em 2025, será uma das grandes beneficiárias, com desgravação tarifária imediata. No setor alimentício, 58,1% do valor exportado pelo Brasil para a UE terá tarifa zero a partir da entrada em vigor do tratado, impactando diretamente as vendas de subprodutos animais e óleos vegetais de Mato Grosso do Sul, que totalizaram US$ 93,9 milhões no último ano. A metalurgia também é favorecida, com isenção para 90,4% das exportações, incluindo o ferro-gusa, que movimentou US$ 125 milhões na economia estadual em 2025.
Cotas e Competitividade para a Pecuária – O acordo estabelece uma cota de 99 mil toneladas para carne bovina, com tarifa reduzida a 7,5% após cinco anos. O benefício imediato, no entanto, está na chamada Cota Hilton (cortes de alta qualidade), que terá imposto zerado desde o início. Este é um impulso significativo para um setor que cresceu 56% em valor em 2025, faturando US$ 1,9 bilhão no estado. A avicultura também ganha com uma cota de 180 mil toneladas com tarifa zero a partir do quinto ano, abrindo perspectivas de expansão para um mercado que exportou US$ 324,4 milhões no último ano.
Redução da Dependência do Mercado Asiático – A diversificação de mercados é vista como um fator de segurança econômica. Em 2025, a Ásia absorveu US$ 5,44 bilhões das exportações estaduais, sendo a China responsável por US$ 3,5 bilhões. O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Congresso, ressalta que o acordo com a UE é crucial para garantir estabilidade de preços e previsibilidade aos investidores locais: “Diversificar mercados é segurança econômica. Quanto mais compradores relevantes, menos risco”.
Panorama dos Impactos Imediatos – A expectativa é que o tratado não só aumente o volume exportado, mas também incentive a agregação de valor a produtos estaduais, como o processamento de etanol industrial e o refino de óleos vegetais, setores que também terão tarifas eliminadas. Abaixo, um resumo dos impactos para alguns produtos-chave:
| Produto/Setor | Desempenho em MS (2025) | Impacto do Acordo (Tarifa Zero) |
|---|---|---|
| Carne bovina | US$ 1,90 bilhão (+56%) | Tarifa zero imediata para Cota Hilton (carnes selecionadas) |
| Açúcar e melaços | US$ 768,1 milhões | Cota de 180 mil toneladas para açúcar de refino |
| Ferro-gusa | US$ 125,0 milhões | Isenção para 90,4% das exportações do setor |
| Milho | US$ 416,0 milhões (+94,5%) | Cota de 1 milhão de toneladas com alíquota zero |
| Etanol industrial | US$ 65,7 milhões (+57,15%) | 450 mil toneladas com alíquota zero imediata |



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