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Campo Grande,23/02/2026

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Sátira da Acadêmicos de Niterói a Temer aprofunda racha no MDB e inviabiliza aliança com PT, avalia Marun


Sátira da Acadêmicos de Niterói a Temer aprofunda racha no MDB e inviabiliza aliança com PT, avalia Marun Ex-ministro Carlos Marun (MDB).

O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, segue gerando repercussão no meio político. A apresentação, que contou com um carro alegórico satirizando o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e a ascensão de Michel Temer (MDB) ao poder, desagradou profundamente a cúpula nacional do MDB.

A representação mostrava um integrante da escola caracterizado como Temer puxando a faixa presidencial de Dilma, em referência direta ao processo que resultou no afastamento da petista e na posse do emedebista. Para o ex-deputado federal Carlos Eduardo Xavier Marun, que foi ministro da Secretaria de Governo durante a gestão Temer, a “brincadeira carnavalesca” pode ter consequências eleitorais significativas.

“É certo que essa mania do Lula de se referir a Michel Temer e aos membros do grupo político do MDB ligado ao ex-presidente como golpistas gera um prejuízo imenso para eventual espaço futuro e, praticamente, impede um apoio formal do MDB como um todo à candidatura de reeleição do petista”, afirmou Marun ao Correio do Estado.

Liberdade de expressão versus limites da sátira

Embora defenda a liberdade criativa da escola de samba, o ex-ministro reconhece o desconforto causado pela abordagem. “Quem se sentiu satirizado em excesso tem o direito de não gostar. E, talvez, seja o nosso caso”, declarou.

Marun relativiza, no entanto, que o desfile seja o único fator determinante para o distanciamento entre as legendas. Para ele, o principal entrave reside na persistente narrativa petista que classifica o impeachment de Dilma como golpe. “A parceria não deve acontecer pelo conjunto da obra, pois, no fundo, Lula mantém esse rancor indevido, até porque no seu governo várias pessoas apoiaram também o impeachment da Dilma”, argumentou.

O ex-ministro foi além em sua avaliação: “Se houve um golpe de Estado naquele momento, foi um golpe de sorte para o Brasil, pois a permanência da Dilma no poder significaria mais um grande atraso para o País”.

Racha interno e a disputa pela vice-presidência

A movimentação de setores do PT ligados ao presidente Lula para atrair o MDB à chapa da reeleição, com a oferta da vice-presidência, tem acentuado divisões dentro da legenda emedebista. De um lado, parte do partido, especialmente nas Regiões Norte e Nordeste, vê com bons olhos a aliança histórica. Atualmente, o MDB já ocupa três ministérios estratégicos no governo Lula: Simone Tebet (Planejamento e Orçamento), Renan Filho (Transportes) e Jader Filho (Cidades).

Do outro lado, a ala ligada a Michel Temer resiste firmemente à proposta. “Não existe chance de o MDB estar compondo a chapa de Lula na próxima eleição. Se existisse, Simone Tebet não estaria saindo do MDB”, afirmou Marun, referindo-se ao convite para que a ministra se filie ao PSB e concorra ao Senado por São Paulo.

Marun é categórico ao afirmar que, nacionalmente, o MDB não deve compor nem com o PT nem com o PL. Questionado sobre uma possível aliança com o PSD, ele não descartou, mas revelou que o partido avalia lançar a própria candidatura. “Estamos avaliando uma candidatura do ex-presidente Michel Temer para disputar o cargo novamente. Eu, como ex-ministro dele, sou um entusiasta da ideia”, disse.

Em contrapartida, a ala favorável à aliança com o PT aposta nos benefícios de ampliar a influência dentro do governo. Um integrante dessa corrente no MDB ponderou, no entanto, que a negociação ainda é incipiente e não foi oficialmente aberta pela direção nacional da legenda.

Os nomes cotados

Caso o acordo prospere, os nomes mais cotados para ocupar a vice-presidência na chapa de Lula são Renan Filho e o governador do Pará, Helder Barbalho. Atualmente, ambos planejam disputar eleições em seus estados — Renan Filho para o governo e Helder Barbalho para o Senado.

A história do MDB é marcada por divisões regionais, como ocorreu nas alianças com Dilma em 2010 e 2014, quando a indicação de Temer para vice enfrentou dissidências em estados como o Rio Grande do Sul. Ciente disso, a cúpula do PT sabe que seria inviável contar com o apoio integral do partido, mas vislumbra a possibilidade de construir uma aliança formal no plano nacional que garanta tempo de televisão, com liberação dos diretórios estaduais.

Com a decisão do PSD de lançar candidato próprio à Presidência — reforçada pela filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado —, o MDB tornou-se a principal alternativa para o PT compor uma chapa com uma legenda de centro. Governistas também tentam atrair setores do União Brasil, mas reconhecem que o partido dificilmente assumirá posição formal de apoio a Lula.

Nesse cenário, a avaliação no entorno do presidente é que a única chance de atrair o MDB é com a oferta do posto de vice. Para isso, Lula estaria disposto a sacrificar Geraldo Alckmin (PSB), apesar de elogiar frequentemente seu desempenho. Nessa hipótese, o atual vice-presidente poderia disputar o Senado ou o governo de São Paulo.




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