Seja bem-vindo
Campo Grande,21/02/2026

  • A +
  • A -

Pressão, alertas ignorados e renúncia: os bastidores da investigação sobre os R$ 400 milhões da Amprev no Banco Master


Pressão, alertas ignorados e renúncia: os bastidores da investigação sobre os R$ 400 milhões da Amprev no Banco Master Ex-presidente da Amprev, Jocildo Lemos.

A aplicação de R$ 400 milhões do fundo de previdência dos servidores do Amapá (Amprev) no Banco Master se tornou alvo de uma investigação da Polícia Federal que apura crimes de gestão temerária e fraudulenta. O caso ganhou novos capítulos nos últimos dias com a renúncia do então presidente da autarquia, Jocildo Lemos, e a revelação de detalhes sobre como dirigentes teriam ignorado alertas e acelerado as aprovações dos aportes .

Jocildo Lemos renunciou à presidência da Amprev na última quarta-feira (11), poucos dias após a deflagração da Operação Zona Cinzenta, que cumpriu mandados de busca e apreensão na autarquia . Em comunicado, Lemos afirmou que deixou o cargo "para que a Justiça atue com total independência" e garantiu que todos os procedimentos adotados em sua gestão "observaram rigorosamente a legalidade" . Ele também destacou que o patrimônio do fundo cresceu 41% entre 2023 e 2025 sob seu comando .

Lemos é aliado político do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que o indicou para o cargo. Alcolumbre não é investigado e disse esperar que o caso seja "devidamente investigado, esclarecido e conduzido com transparência e respeito ao devido processo legal" .

O papel de cada dirigente segundo a PF

Documentos da Polícia Federal obtidos pela imprensa detalham como os dirigentes da Amprev teriam atuado para viabilizar os aportes no Master, realizados em julho de 2024 por meio da compra de letras financeiras — ativos sem garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) .

De acordo com a investigação, o conselheiro José Milton Afonso Gonçalves é apontado como "o mentor intelectual e principal articulador das operações no âmbito do Comitê de Investimentos". A PF afirma que ele teria omitido comparativos de risco de crédito e rejeitado ofertas de "bancos de primeira linha como Santander, BTG Pactual e Safra", priorizando o Master sob o argumento de que a taxa de retorno era superior .

Já Jocildo Lemos é descrito como "o garante institucional da operação", utilizando sua posição hierárquica para "neutralizar as resistências internas da área técnica". A PF destaca que Lemos tinha ciência de que a Caixa Econômica Federal havia recusado a aquisição dos mesmos ativos devido ao alto risco, mas mesmo assim optou por ignorar esse sinal de mercado. Uma suposta visita técnica ao Banco Master às vésperas do terceiro aporte teria sido uma "mera formalidade para conferir aparência de legalidade à gestão temerária, sem produzir qualquer auditoria real" .

Alertas ignorados e processo acelerado

A investigação aponta que os três gestores ignoraram alertas de outros conselheiros sobre a concentração de recursos no Master, a negativa da Caixa e a existência de procedimentos em órgãos de controle como TCU e MPF . Mesmo assim, em menos de 20 dias, a Amprev realizou aplicações sucessivas em Letras Financeiras do Banco Master .

Uma auditoria do Ministério da Previdência Social, compartilhada com a PF, revelou que Lemos celebrou a aprovação do primeiro aporte de R$ 200 milhões dizendo que o fato "tirou um peso" de suas costas. A declaração, registrada em áudio mas não constando em ata, levantou suspeitas de possível "comprometimento ou influência externa" no processo decisório .

Investigações sobre pressão externa

Um dos pontos centrais que a investigação busca esclarecer é se o ex-presidente da Amprev foi pressionado, orientado ou induzido a concretizar os investimentos no Master . As apurações buscam responder se houve influência externa ou pressão política sobre Jocildo Lemos para aprovar os aportes; se o processo decisório foi conduzido de forma deliberadamente acelerada para evitar questionamentos técnicos; e se o credenciamento do banco foi feito com a diligência necessária .

Documentos apresentados para credenciar o Master seriam padronizados e idênticos aos de outros fundos, com descrições elogiosas ao banco reproduzindo linguagem institucional, sem análise técnica aprofundada de riscos. Técnicos da Amprev teriam admitido que a documentação foi elaborada pelo próprio banco .

Risco para os servidores

Com a liquidação do Master pelo Banco Central devido a indícios de fraude de R$ 12 bilhões e falta de liquidez, a Amprev agora entra em uma longa fila de credores da instituição financeira . Os R$ 400 milhões aplicados correspondem a 4,7% da carteira do fundo, que soma cerca de 30 mil segurados e 2.100 aposentados e pensionistas .

A Amprev informou que se sente lesada pelo banco e ingressou com medidas judiciais, conseguindo o bloqueio de pagamentos ao Master. A instituição afirma que espera que "os contraventores do Banco Master sejam punidos" 




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.