STJ mantém condenação de irmãos de Dourados por tráfico internacional de drogas
(Foto: Divulgação) O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a condenação dos irmãos Marcel Martins da Silva e Valter Ulisses Martins da Silva, residentes em Dourados, por envolvimento com tráfico internacional de drogas. A decisão refere-se à Operação Enigma, deflagrada pela Polícia Federal em 2017, que desarticulou uma organização criminosa responsável pela entrada de crack e cocaína no Brasil pela fronteira de Ponta Porã com Pedro Juan Caballero, no Paraguai.
Segundo as investigações, Marcel Martins atuava como um dos líderes da quadrilha, sendo responsável pelo fornecimento das drogas que ingressavam no país. Após cruzar a fronteira, os entorpecentes seguiam para o estado do Paraná, onde eram armazenados em imóveis utilizados como entrepostos para posterior comercialização.
Valter Ulisses, embora não ocupasse posição de liderança na época, também integrava a organização criminosa armada voltada ao tráfico de drogas, conforme apuração da Polícia Federal.
A operação resultou em 35 denunciados e no cumprimento de 28 mandados de prisão nos estados de Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina.
Decisão judicial
Os investigados tornaram-se réus na Justiça Federal no Paraná. Após sucessivos recursos, o caso chegou ao STJ, que no final de 2025 negou provimento a um dos pedidos da defesa de Marcel Martins. O ministro Luis Felipe Salomão indeferiu o seguimento do recurso extraordinário apresentado pelos advogados, mantendo a condenação.
Na decisão, o ministro destacou não ser cabível agravo em recurso extraordinário contra decisões que negam o seguimento do recurso.
Marcel Martins foi condenado a 15 anos e 11 meses de prisão pelos crimes de tráfico internacional de drogas e organização criminosa armada. Já Valter Ulisses recebeu pena de 4 anos e 6 meses de reclusão, exclusivamente por participação em organização armada, sem condenação por tráfico.
Apesar do julgamento do STJ, o processo ainda não transitou em julgado, e os réus permanecem em liberdade.
Nova investida da PF em 2024
A organização criminosa comandada pelos irmãos Martins voltou a ser alvo da Polícia Federal em maio de 2024, com a deflagração das Operações Prime e Sordidum. Desta vez, as investigações revelaram que o grupo havia se reestruturado após a primeira operação.
Se em 2017 Marcel era apontado como o principal líder, sete anos depois quem assumiu o comando foi seu irmão mais novo, Valter Ulisses. Segundo a PF, ele passou a ser o responsável por manter contato direto com os fornecedores de cocaína no Paraguai.
A investigação apontou que a organização criminosa mantinha conexões com outros grupos de expressão no cenário do tráfico, como o clã da família Mota, de Ponta Porã. Havia inclusive planos de expandir os negócios ilícitos para a Europa, exportando drogas adquiridas de produtores peruanos e de Antônio Joaquim Mendes Gonçalves da Mota, conhecido como Motinha.
A fachada de empresários
Moradores de Dourados, os irmãos Martins ostentavam uma aparência de respeitabilidade na sociedade local. Marcel, casado, residia em um condomínio de luxo e era proprietário de duas empresas. Frequentador assíduo de uma igreja da cidade, chegou a alugar um de seus imóveis para a agremiação religiosa e recolhia o dízimo regularmente.
“Para quem se relaciona com essas pessoas, com os líderes, principalmente na sociedade, são pessoas até religiosas. O chefe do terceiro grupo, ele recolhia o dízimo, uma das propriedades dele era alugada pra igreja que frequentava e participava ativamente das atividades da igreja. Se apresentava como empresário na sociedade”, relatou à época o delegado da PF Lucas Vilela, coordenador das operações.
Durante as ações de 2024, Marcel foi preso novamente em sua residência no condomínio de luxo em Dourados. Seu irmão Valter Ulisses, no entanto, conseguiu fugir para o Paraguai e permanece foragido.



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