Claudinho Serra pedia iogurte e suco de caixinha no gabinete com dinheiro desviado
Claudinho receberia produtos no gabinete. O ex-secretário de Finanças de Sidrolândia, Claudinho Serra, utilizava caixas de suco, fardos de água com gás e iogurtes sabor laranja e mel pagos com “saldos” obtidos junto a empresários que participavam de esquema criminoso no município. A revelação consta em relatório do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), obtido a partir da delação premiada do ex-servidor e empresário Milton Paiva.
Paiva firmou acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) após a deflagração da Operação Tromper, que investiga organização criminosa comandada por Claudinho Serra à frente da Secretaria de Fazenda de Sidrolândia.
Documentos anexados ao inquérito mostram print de conversa de Paiva no WhatsApp com a namorada, no qual ele “salva” uma lista de produtos a serem entregues no gabinete de Serra. No lembrete, itens como caixas de suco, fardo de água com gás e iogurte de laranja e mel aparecem como parte do sistema de “trocas” ou “créditos” mantido pelo grupo.
Como funcionava o “sistema de saldos”
O esquema, apelidado pelos investigados de “fazer saldo”, consistia em converter ativos públicos em valores disponíveis para atender demandas pessoais ou políticas de agentes públicos, sem licitação ou qualquer procedimento legal.
Conforme apurado, servidores envolvidos emitiam solicitações fraudulentas baseadas em contratos já existentes. A demanda era repassada a fornecedores integrantes do esquema, que emitiam notas fiscais. Outro servidor atestava falsamente o recebimento dos produtos ou serviços, liberando o pagamento. O valor era depositado na conta do fornecedor, que mantinha contabilidade paralela — os chamados “saldos” — à disposição dos gestores.
No caso de Claudinho Serra, os recursos eram usados para adquirir bens e serviços para a repartição e também “mimos” de interesse pessoal. Segundo a delação de Milton Paiva, as aquisições eram intermediadas por Carmo Name, assessor pessoal de Serra.
“Com o Carmo Name eu cheguei a fornecer somente água, aqueles iogurtezinhos de fruta, cápsula de café — que era pro gabinete onde ele ficava junto com o secretário — também no sistema de troca”, afirmou Paiva em trecho da delação transcrito pelo Gecoc.
Procurado, o advogado de Claudinho Serra não respondeu aos questionamentos da reportagem até o momento. O espaço permanece aberto para manifestação.
Operação Tromper
A investigação, conduzida pela 3ª Promotoria de Justiça de Sidrolândia em parceria com Gecoc e Gaeco, já identificou organização criminosa voltada a fraudes em licitações e contratos com a Prefeitura de Sidrolândia. O grupo atuava para direcionar certames e desviar recursos públicos em benefício próprio.
Na última fase da operação, foram cumpridos três mandados de prisão e 29 de busca e apreensão. Claudinho Serra, apontado como mentor do esquema, teve a prisão decretada. Familiares também foram atingidos: o pai, Cláudio Jordão de Almeida Serra, e a esposa, Mariana Camilo de Almeida Serra — filha da ex-prefeita de Sidrolândia, Vanda Camilo —, foram indiciados.
Claudinho Serra responde ainda por ações relativas à 3ª fase da Tromper, deflagrada em abril de 2024, quando se tornou réu ao lado de outros 22 investigados. A denúncia do MPMS, aceita pela Justiça, aponta fraudes em setores como Cemitério Municipal, Fundação Indígena e abastecimento da frota de veículos, com repasses que variavam de 10% a 30% do valor dos contratos, a depender do tipo de vantagem ilegal.



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