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Campo Grande,01/05/2026

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PGR arquiva ação contra Gilmar Mendes por suposta homofobia após retratação do ministro


PGR arquiva ação contra Gilmar Mendes por suposta homofobia após retratação do ministro Declaração foi dada em entrevista ao site Metrópoles; após repercussão negativa, Gilmar Mendes reconheceu erro e pediu desculpas publicamente.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu arquivar, nesta segunda-feira (27 de abril de 2026), o pedido de abertura de ação civil pública contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, acusado de suposta homofobia.

O caso teve origem em uma entrevista concedida por Gilmar Mendes ao site Metrópoles. Ao criticar o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema, o ministro questionou se não seria considerado ofensivo fabricar "bonecos do Zema como homossexual", sugerindo que a homossexualidade estaria sendo usada como forma de ataque ou acusação injuriosa.

A declaração gerou forte repercussão negativa, com acusações de que o decano do STF teria feito uso retórico homofóbico. Um pedido de investigação foi protocolado pelo advogado e professor Enio Viterbo, que cobrava a apuração de possível lesão a direitos coletivos da população LGBTQIA+.

Decisão da PGR

Em sua decisão, o procurador da República Ubiratan Cazetta entendeu que não há elementos suficientes para justificar a atuação institucional da PGR. Segundo o parecer, a fala de Gilmar Mendes, embora inadequada, não configurou "lesão efetiva e atual a direitos coletivos" da comunidade LGBTQIA+. O procurador destacou ainda que o próprio ministro reconheceu o equívoco, fez retratação espontânea e pública e pediu desculpas.

"Assim, não se verifica, no contexto apresentado, conduta que configure lesão efetiva e atual a direitos coletivos da população LGBTQIA+", concluiu o procurador ao determinar o arquivamento.

Contradição ou coerência?

O episódio reacende o debate sobre os limites da liberdade de expressão, especialmente quando se trata de ministros do STF — a mesma Corte que, em 2019, equiparou a homofobia e a transfobia ao crime de racismo, com voto favorável do próprio Gilmar Mendes.

Críticos apontam uma contradição entre o rigor com que o tribunal trata o tema quando envolve cidadãos comuns e a maior tolerância quando o acusado é um dos seus membros.

Defensores da decisão da PGR argumentam que a retratação rápida do ministro afastou qualquer intenção discriminatória e que não havia justa causa para transformar uma declaração infeliz, feita em contexto retórico, em processo judicial contra uma autoridade com foro privilegiado.

Caso encerrado, debate aberto

Com o arquivamento, o caso está encerrado na esfera da PGR. No entanto, a polêmica serve como mais um capítulo na discussão sobre coerência no combate ao discurso de ódio e sobre o tratamento diferenciado dado a membros do Judiciário quando o tema envolve pautas sensíveis de identidade.

A sociedade segue atenta: palavras de ministros do STF têm peso institucional e simbólico, e o padrão aplicado a eles costuma ser usado como referência para julgar casos semelhantes envolvendo cidadãos comuns.




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